Escola filiada
 

Texto elaborado a partir de uma reflexão após a leitura do livro “Adolescência - o segundo desafio”
(Armando Ferrari)

Adeus às fraldas, às dores de barriga, não preciso mais acordar durante a noite. É o fim da tosse, das gripes consecutivas, das amidalites, das epidemias da infância. Maldita catapora! É o fim. Não preciso mais me preocupar com as mudanças de tempo, com ambiente muito fechado ou muito aberto. Adeus pediatra todos os meses, adeus criança, adeus infância! É o fim das solicitações, das birras. Possa ver filme até tarde e demorar no banho, posso sair e deixá-lo só. Meu filho cresceu e acho que se transformou: seu cabelo, seu sorriso, os pêlos. Casaco! Nem pensar! Ele anda na chuva, detesta guarda-chuva.

Já tinham me avisado que nesta fase é assim mesmo: parece que precisam estar livres o tempo todo, desafiam a saúde, o corpo, as ruas, os professores, eles estão livres de nós! Liberdade que os leva por caminhos tortuosos e muitas vezes fatais. E é exatamente dessa liberdade, desse “desamparo”, dessa sensibilidade que se aproveitam a indústria. A indústria do tabaco, do álcool, das drogas, do crime, do sexo. Indústria que transforma pessoas em objeto de consumo.

Viver a adolescência e atravessá-la, inevitavelmente, gera dor. O “ser” do adolescente é doloroso. No início da vida mental, a mente se propõe ao corpo, enquanto na adolescência é o corpo que se propõe à mente sob o impulso do desenvolvimento biológico.

* “Às vezes esse impulso é tão exagerado que chega a transformar o corpo em algo estranho, causando no adolescente certo pânico, por não poder se prever tais mudanças. É preciso lembrar que nesta fase, justamente pela difícil construção da identidade, em alguns momentos são “os outros” (o grupo, os pais, a escola) que constituem para ele um suporte para que possa ocupar-se de si” .

É verdade que não podemos mais trocar as fraldas ou decidir a que horas e o que vão comer. Mas podemos olhar nos olhos, prestar atenção, conversar, disponibilizar escuta, respeitar o segundo nascimento, ou seja, o segundo desafio que é a adolescência.

*Armando Ferrari, p.12

 Texto construído a partir da leitura reflexiva do livro “Adolescência – o segundo desafio” de Armando Ferrari. Ed. Casa do Psicólogo.

 Colaboração de Andrea Alvarenga do Carmo, mãe dos alunos: Leonardo do Carmo Loureiro – T.161 e Vinícius do Carmo Loureiro – T. JII

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