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Quem
fala demais dá bom dia a cavalo!
Maria
Aparecida A. Araújo*
Muitas vezes somos traídos pela tendência de falar sem
pensar e de forma irrefletida.
Deus, em sua infinita sabedoria, nos fez possuidores de uma só
boca e dois ouvidos, querendo com isso que utilizássemos em
dobro nossa capacidade de ouvir e nos habituássemos à
contenção de palavras inúteis e julgamentos inconvenientes.
Geralmente, quando estamos zangados, expressamos juízos e conceitos
dos quais muito nos arrependemos, quando a calma sobrevém.
Mas, muitas vezes, esse arrependimento não é suficiente
para remediarmos os danos causados às outras pessoas.
Charles Chaplin cunhou uma frase que me parece bastante apropriada
para nos alertar sobre a armadilha do "falar demais": "Cuidado
com as palavras pronunciadas em discussões e brigas que revelem
sentimentos e pensamentos que na realidade você não sente
e não pensa... pois, minutos depois, quando a raiva passar,
você delas não se lembrará mais... Porém,
aquele a quem tais palavras foram dirigidas, jamais as esquecerá..."
Geralmente, reagimos com visível desagrado a dicas e sugestões
de pessoas que nos querem bem, visando nossa melhoria íntima.
São temas que nos parecem chatos e maçantes. Certamente,
se levadas em conta, muitas dessas palavras, plenas de sabedoria,
representariam mudança de conduta e o abandono de muitos vícios.
Nem sempre o "falar demais" manifesta-se nas horas de raiva.
Muitas vezes, a tendência em falar mais da vida alheia que dos
valores que nos enriquecem a existência incentiva a proliferação
de boatos e fofocas.
Quando surge um colega trazendo informações sobre as
últimas novidades dos namoros, demissões e problemas
dos outros, o tempo que parecia não existir aparece, o cansaço
e a falta de paciência cedem imediatamente lugar ao interesse
e à curiosidade.
Como seria proveitoso se pudéssemos dedicar esse mesmo interesse
e atenção para ouvir e ajudar muitos amigos que nos
procuram para um diálogo saudável, muitas vezes com
inquietações e angústias, e nós simplesmente
não temos tempo e sensibilidade suficientes para escutar.
Aliás, como é difícil para todas as pessoas parar
para escutar. Somos ávidos por falar; vivemos ansiosos porque
falamos muito e escutamos pouco ou quase nada. Nossa palavra sempre
deve ter o maior peso. Queremos ter sempre a primeira e a última
palavra.
Saber ouvir exige que façamos opção consciente
em apreender o que se passa com o outro, de forma solidária
e sem preconceitos, com o objetivo de buscarmos o entendimento. O
diálogo nem sempre é uma tarefa fácil, pois envolve
a disponibilidade para aprender novas idéias, quando antes
gostaríamos de ensinar; humildade para reconhecer que não
somos perfeitos e que não sabemos tudo a respeito de todos
os assuntos e admitir a coerência de fundamentos e idéias
que não são nossos.
Ouvir é diferente do simples ato de escutar. Escutar é
o uso puro e simples do sentido da audição e só
não escuta quem é surdo. Ouvir é muito mais profundo
pois envolve a pessoa por inteiro e é um processo ativo, ao
contrário do que a maioria das pessoas pensa ser.
Exercitar a arte de ouvir o nosso semelhante apura nossa sensibilidade,
permitindo-nos romper a concha de isolamento criada pelo individualismo
- outra das características negativas da nossa sociedade -
e participar das experiências e emoções das outras
pessoas.
Wendell Johnson, grande teórico da comunicação,
escreveu: "Nossa vida seria mais longa e rica se despendêssemos
a maior parte dela na tranqüilidade silenciosa do ouvir pensativamente".
Somos um bando turbulento, e daquilo que chega a ser dito entre nós
muito mais passa despercebido e não ouvido do que se poderia
imaginar. Temos, ainda, que aprender a usar as maravilhas do falar
e do ouvir em nosso próprio e melhor interesse e para o bem
de nossos semelhantes. Essa é, também, a mais extraordinária
das artes a ser dominada pelo homem.
Ouvir é renunciar! É a mais alta forma de altruísmo
em tudo quanto essa palavra signifique de amor e atenção
ao próximo. Talvez por essa razão a maioria das pessoas
ouça tão mal, ou simplesmente não ouça.
Vivemos imersos em cogitações pessoais e é raro
conseguirmos passar algum tempo sem pensar em nós mesmos."
Para falar bem não basta uma boca. Há muita gente que,
não sabendo usá-la, tem feito um grande estrago com
o que diz. Antes de nos julgarmos incompreendidos e injustiçados
pelo mundo, não nos devemos esquecer que a causa dos nossos
problemas e do desencontro na relação com a outra pessoa
pode estar alojada em nós mesmos.
Saber ouvir leva tempo, prática e paciência. É
uma arte que mantém vivos o respeito, a afeição,
a amizade, o sentimento de confiança que o outro deposita em
nós. Faz com que nossos clientes, colegas de trabalho, filhos,
cônjuges e namorados, sintam-se como pessoas importantes e amigos
privilegiados. Assuma, hoje mesmo, um compromisso de falar menos e
ouvir melhor.
Reflita sobre o ensinamento de Albert Schweiser que diz que "o
verdadeiro valor de um homem não pode ser encontrado nele mesmo,
mas nas cores e texturas que faz surgir nos outros....".
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Colaboração de Claudia Guerreiro , mão do aluno
Eduardo Guerreiro (turma 121)
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